domingo, maio 01, 2016

O bater de um coração.

O bater do coração de qualquer coisa que não mede 4 centímetros.

O movimento.

O movimento de qualquer entidade que não mede 4 centímetros.


sexta-feira, abril 01, 2016

Carta a um "eu" futuro

Meu caro,

Algures em Fevereiro/Março de 2016, passaste duas semanas em São João do Estoril. Nem tu sabias que existia tal localidade, tu que dividias a linha (excluindo Sintra) entre Cascais e Estoril. A melodia abaixo levar-te-á a esses tempos.
Na altura, mal chegavas, ias aviar um chávena de café, fumar o SG matinal e ouvir os OMD. Lembravas-te do teu escritório. Do teu. Do que estavas a deixar para trás. Souvenir doutro tempo.

Quinze dias. Dez úteis. Ao segundo, foste introduzido à temática das "pinças", artefacto útil para lidar com problemas delicados.

Foram-te ditos nomes, explicadas situações. Depois, noutra altura, foram-te ditos ainda mais nomes e explicadas ainda mais situações.

Serias como que invisível aos olhos da base. Com alguma, claro, havia relações a começar, mas na tua nuca estava sempre alguém. Alguém que ta torcia e te obrigava a coçá-la. Spider sense. Macacada. Qualquer coisa.

Certo dia, o telefone tocou. Duas vezes.

Foram duas semanas. Valorizado pela chefia como nunca ou até mesmo nunca mais.

Demorou duas horas a que pudesses sair. Foi tudo debatido.

Mas o telefone tinha tocado. Era a única coisa que tinhas dito a ti próprio: se tocasse, não mais quisesses obedecer se pudesses mandar.

Quando saíste, pairava no ar uma nuvem negra. Ou lua, para poderes pensar nos CCR.

Terão ficado a pensar que saíste porque a nuvem te impedia de respirar. Tão longe disso.

Hoje, a dita nuvem (imagem a que recorro pela terceira vez e que, por isso, peço as devidas desculpas) ficou menos negra.

Ao leres, hoje mesmo, as notícias que pululam em todos os sites da especialidade, lembras-te daquelas duas semanas.

Souvenir.









quarta-feira, março 16, 2016

Pequeno, ou pequeníssimo, ensaio sobre a saudade



A saudade é uma ressaca, ainda que uma forma muito específica de ressaca.

Como todas as ressacas, também a saudade tem fim.





quarta-feira, março 02, 2016

terça-feira, fevereiro 23, 2016

A vida e qualquer coisa de Steiner, cuja obra conheço mal

A ecoar, há coisa de uma semana, na minha pequena cabeça de aprendiz: We have no more beginnings.

We? I.

Para quem gostar, qualquer coisa, apenas relacionada, aqui.

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Alembrou-me

terça-feira, janeiro 19, 2016

Toada de GNR

Por GNR entenda-se Grupo Novo Rock, a banda na qual pontifica Rui Reininho.

Do seu trabalho "Mosquito", que conta com uns anos, há uma composição musical feliz: Bem-vindo ao passado.

Dispensando-me de analisar a letra, ela veio-me à cabeça por causa de um exercício que levei a cabo ainda agora: limpar a caixa de e-mails.

Quando a dita caixa conta com alguns anos de fundação, natural é ter milhares de e-mails completamente inúteis que merecem incineração. Foi o que fiz.

Ora, se há inutilidades, também há um regresso ao passado, passado tão longínquo que é quase novo.

Dos indícios de outros tempos de estudante, até outros conducentes a alturas mais recentes, a vida é, como em tantas outras coisas, uma soma positiva das comunicações que efectuamos com terceiros.

De e-mails de pessoal que já faleceu e de outros que passaram, vê-se tudo.

O que foi e o que podia ter sido.

O que foi escrito e não devia.

Até que... matte kudasai!

Vê-se um e-mail com piropos do trolha. Do pai que deve ser terrorista, porque a fulana é uma bomba. Ou pergunta-se à fulana se ela se alivia numa caixa de areia, porque é uma verdadeira gata.

Quando se tem uma certa idade, e só aí, percebe-se que nada é circular. Especialmente o tempo.