sexta-feira, julho 31, 2015

Voltando ao texto, o que é recorrente

O irmão do meu patrão trabalha na sociedade de advogados em que exerço funções.

O que faz ele? Para além do que lhe apetece, faz coisas. Por coisas entenda-se qualquer coisa parecida com serviço administrativo.

Quase a chegar aos 30 anos, muito meditei antes de escrever aquilo que escrevi. Pensei em pessoas, feitios, episódios, até mesmo filosofias.

Cheguei a uma conclusão. Há três pessoas que podiam sair da minha vida, ainda que de forma pensada e ordenada, mercê das condicionantes socio-económicas. Eis as 3 piores pessoas que habitam na minha vida:

O irmão do meu patrão. É a pior pessoa que conheço. Não se aproveita nada. Não lhe conheci uma virtude, algo por que se possa puxar. Até o bem que faz é mau.

Logo a seguir, está o patrão, como é óbvio e razoável.

A finalizar o Top 3, sempre lembrando que o critério é terem alguma relação de proximidade e convívio comigo, está o irmão do meu patrão.

Não é engano.

(Adiantadas desculpas pelo texto à pita)

segunda-feira, julho 27, 2015

Dia 27

Há alturas em que, mesmo que nunca nos tenhamos esquecido, voltamos a lembrar por que razão existem uniões.
A "meia bola", a "melhor metade", digna desse nome, tem a capacidade de trazer à nossa vida aspectos e coisas que já tínhamos esquecido.

Voltei a ouvir isto. Fazia falta.



quinta-feira, julho 23, 2015

A propósito da revisitação a Nip/Tuck

Nunca granjeou grande popularidade a série a que me refiro acima.

Haverá vários motivos, mas o principal será, talvez, o grau de whatthefuckness que abunda em cada episódio e personagem. Muito triângulo, muita carne, muito daquilo que não é aberto.

Emitida, actualmente, pela SIC Radical, recomecei, assim como a minha melhor metade, a ver a série do seu início.

Num episódio recente, uma das personagens principais, Sean McNamara, escrevia o seu epitáfio. Não porque tivesse morrido ou estivesse para isso. Inquirido pelo seu filho sobre as razões de tal acto, respondeu-lhe que era um exercício de motivação.

Há, na minha opinião, uma grande música dos Titãs, precisamente chamada de "Epitáfio". Uma lista de lamentos e de "coulda-shoulda-woulda". Apesar de ser excelente, como disse, não achei correcto que lhe dessem um nome que não corresponde àquilo que é. A letra da música, o poema, para usar uma palavra que devia ter um significado mais restrito, é um rol "do que devia ter sido". O epitáfio tem de conter aquilo que efectivamente foi/aconteceu.


Na pior das hipóteses, o epitáfio é um testamento, um legado de factos e conquistas do de cujus.

Abomino a ideia de ser eu a escrevê-lo. Ainda pensei fazê-lo. Contudo, é demasiado tétrico. Demasiado mórbido.  Faltar-me-ia a objectividade. Faltar-me-ia tudo.

Será estranho pedir a um amigo para fazê-lo? Será mais justo solicitá-lo a um inimigo?

Pus-me a pensar. Não há ninguém que o pudesse fazer por mim. A minha família e até amigos, inexplicavelmente, gostam de mim. Seria doce. Os restantes seres assumem perante mim uma postura de indiferença ou desdém que também não permitiria a execução com qualidade.

Ao fim e ao cabo, o que somos é subjectivo. Claro que há factos e actos. Mas os factos e os actos não são nada sem interpretação.

quarta-feira, julho 08, 2015

À beira

Estou quase com 30 anos.

A este respeito, lembrei-me de uma questão que me é colocada há décadas (sim, há décadas): "por que razão não gostas de fazer/celebrar o teu aniversário?"

Já o disse dezenas de vezes. Agora, fica escrito e, so help me god, vou colocar uma "etiqueta" (tag) no fim. Para me lembrar. Para servir de remissão.

Que sentido tem festejar a mediocridade? Tenho quase 30 anos e sou um trabalhador de segunda, desprezado, ignorado, tantas vezes vilipendiado, desonrado.

Que sentido tem festejar a data? Tenho quase 30 anos e, lembrando os factos supra expostos, nem por isso ganho melhor, sequer bem, não tenho o dinheiro para viver o que queria nem para fazer coisas por quem gostava.

Que sentido tem ouvir a canção dos parabéns? Quando morrer, serei uma vírgula na história, um nada, um ninguém, uma alma inominada que serviu e mal.

Porquê pensar diferente? Tirei um curso massificado, não estou com idade nem vida para mudar, não ingressei na carreira que queria, trabalho, há quase 6 anos, num sitio onde filho meu nunca porá os pés.

Mas e então não é engraçado celebrar o meu nascimento? Acredito que sim, para as poucas pessoas que gostam de mim. Isso não me inclui a mim. Trocava a minha pela vida de qualquer pessoa. Odeio o que faço. Odeio ainda mais com quem faço.

Ao fim e ao cabo, percebo que o meu problema é a situação profissional. Que me mata.

Mas, claro, a culpa é toda minha. Não estou disposto a abdicar do que tenho em troca de paz. Porque se abdicar, tão cedo não arranjo ocupação. Porque se abdicar, desisti.

Mas, à beira dos meus 30 anos, é isto.

Estudei para ter uma carreira melhor do que a que tenho. A minha carreira não existe.

Deixei de sair à noite para poder descansar para um exame no dia seguinte. Se fosse hoje, até fortemente alcoolizado teria ido fazer o exame.

Deixei de fazer uma tese de mestrado porque estava a trabalhar e, quando vi que não chegava para as encomendas, até porque também tinha a agregação à O.A metida ao barulho, escolhi o trabalho. Devia ter saído daqui e começava de novo.

Mas não.

Tenho 30 anos e nem o respeito próprio alcancei.

Se tudo correr bem, esse dia fatídico será passado longe desta corja com quem coexisto 10 horas por dia.


quinta-feira, julho 02, 2015

Agora, um desvio na rota, mas não no espírito.

Francisco José Viegas, que chegou a ser Secretário de Estado para a Cultura, tinha um belo blog no qual, de vez em quando, escrevia sobre futebol. A "rubrica", se assim quisermos chamar, dava pelo nome de "Cantinho do Hooligan". Hoje, apetece-me falar do Sporting.

O Sporting Clube de Portugal, fundado em 1906, é um imenso clube. Tem e inspira uma filosofia diferente das restantes agremiações desportivas. Enquanto Benfica e Porto têm uma matriz e base de apoio mais popular, o Sporting diferencia-se e aposta num entendimento do Desporto numa vertente mais plural. O Sporting é um clube de modalidades (para além do futebol). O Sporting tem um nome ouvido em todo o mundo. Em todos os meetings de atletismo, campeonatos de tudo e mais um par de botas, lá ouvimos o constante "(...) atleta do Sporting". Claro, os outros clubes também os têm. Sucede que os bons, verdadeiramente bons, são nossos. No disrespect.

Dito isto, o futebol é aquilo que preocupa 98% dos adeptos do clube.

E, no que a futebol diz respeito, isto não anda bem. Vamos a factos:

1. Há pouco dinheiro para grandes contratações;
2. A gestão desportiva é débil e inconsequente, senão vejamos;
2.1 Foi despedido o treinador que melhor pôs a equipa a jogar nos últimos anos e que ganhou, de facto, alguma coisa;
2.2 Nenhuma contratação trouxe algo de melhor à equipa, desde a tomada de posse de BdC;
3. A gestão (latu sensu) do clube corre o risco de ruir brevemente, ora;
3.1 No mesmo espaço físico estarão BdC, Jorge Jesus, Octávio Machado, Inácio, M. Fernandes
3.2 Deste lote, não há uma alma com bom feitio e espírito de negociação, é vai-ou-racha, sendo que vários destes elementos dão-se como cão e gato ou já deram;
3.3 Se não há vitórias no início do campeonato, rebenta a bomba.

Uma vez que não sou nenhum Rui Santos, deixo uma preocupação: que o edifício caia. Que ninguém se entenda. Que sejamos gozados pela incompetência e falta de visão.

A contratação do Octávio é errada. Não quero personalizar, mas acho que teve um tempo e que o tempo passou. Mesmo o tempo que teve foi um tempo mal passado.

Tenho pena do estilo do BdC. Aquilo não é o Sporting.

Acho que não vamos ganhar nada este ano. É mesmo triste, mas acho. Para além de um treinador que é, na minha opinião, acima de excelente e triplamente doutorado, não em futebol, mas em "bola", não há mais nada. Não há factores de acrescento, só factores de debilidade.

E pronto. Resta apoiar.

Obrigado e boa tarde.

terça-feira, junho 30, 2015

Por alguma razão

Quando o sol se põe, começo a lembrar-me dele, por alguma razão.

O auge da sua falta foi, sem qualquer dúvida, no dia do meu casamento. Senti-me culpado. Por tantas coisas. A primeira foi por não o ter ali. Viu-me sair de casa. Ainda soube da minha mudança para outra casa. Não me viu casar.

Falava bastante com ele. Tinha posição sobre tudo, concordasse-se ou não com ela. Tinha perspectiva, observava. Seria excelente saber o que pensa e o que ele pensava sempre me interessou. Não era mau a julgar caracteres e já tinha visto umas coisas. E ainda há a questão do sentido de humor. Forte.

Nunca o conheci com os defeitos que, ao longo do meu crescimento, lhe foram apontando. Certamente que os teria, o meu ponto é que não os via. Comigo sempre foi acima de excelente.

Deixou mágoa. A partida mudou, de forma objectiva e necessariamente definitiva, a vida. A minha e outras.

E lembro-me dele, sobretudo, quando uma vez, sozinhos, depois de ouvir uma das minhas ladainhas sobre a inutilidade da existência, me disse, de forma avisada e sincera, que devia arranjar ajuda.

Bom, essa ajuda veio, de várias formas. Mais ninguém me teria dito "vai-te tratar" com a seriedade e amizade dele. Costumo odiar sinceridade, mas ali soube-me bem. Talvez por se ter dado um dos raros casos em que a verdade/sinceridade se adequava e mal não faria.

Recordo-o sorridente.

E isso é tudo.

quarta-feira, junho 17, 2015

3 anos

Completam-se 3 anos, neste dia, desde que saí da casa dos meus pais e fui viver com "a tal", a que é hoje minha mulher.

Vou começar pelo inevitável chavão: passou a voar. Ainda me lembro como se tivesse sido há bocado. Saímos, ambos, das nossas origens e fomos ocupar a casa à tarde.

A casa era modesta, bastante humilde, mas serviu o seu propósito, o de albergar um jovem casal, durante pouco mais de um ano. As deficiências do imóvel eram algumas. As do lar nem tanto. Tive sérias infiltrações, rastejantes, frio de rachar e calor de assar.

Apesar de ter sido uma casa para esquecer, há de ficar sempre na minha memória. Porque, apesar de tudo, foi ali que começou a nova etapa da minha vida.